Antes de o Health ocupar uma ilha, reunir centenas de pessoas e colocar diferentes marcas no mesmo espaço, ele precisou existir de um jeito bem menos concreto: na cabeça de Ariane Lima. A ideia não nasceu de uma oportunidade isolada nem de uma vontade repentina de produzir eventos. Ariane já vinha construindo há anos uma relação profissional e pessoal com saúde, movimento e bem-estar. Como Health Coach, acompanhou pessoas em processos de mudança de hábitos e passou a perceber que saber o que fazer nem sempre é suficiente para começar.
Às vezes, é preciso encontrar um ambiente que incentive, pessoas que estimulem, experiências que despertem vontade. Foi dessa percepção que começou a nascer o Health.
“Eu quis levar para uma experiência coletiva aquilo que eu já acreditava e vivia individualmente”, conta Ariane. A proposta, desde o início, era tirar as pessoas da rotina para que pudessem se movimentar, aprender, se cuidar, conhecer outras pessoas e também descobrir marcas que compartilhassem daquela visão.

A primeira versão, porém, era bem mais simples. Ariane imaginava reunir pessoas para falar sobre saúde, praticar atividades físicas e experimentar ações de bem-estar. Só após colocar a ideia em prática ela percebeu que havia ali algo que poderia crescer para além de uma programação de atividades.
A primeira edição do Health Woman foi realizada em junho e reuniu cerca de 160 mulheres em uma programação com yoga, pilates, roda de conversa, ativações e experiências de marcas. Foi pequeno o suficiente para permitir que Ariane observasse de perto o que funcionava, mas grande o bastante para responder à pergunta que todo projeto novo precisa enfrentar: existe alguém disposto a viver isso comigo?
A resposta veio na prática. Três meses depois, o Health Sunset já tinha outra escala. O público deixou de ser exclusivamente feminino, o número de parceiros aumentou e a experiência ganhou como cenário a Ilha do Combu, no Pará. A escolha do lugar trouxe beleza, claro, mas também uma operação que não cabia em uma planilha simples. Travessia, horários, equipes, materiais, montagem, ativações, parceiros, produção. Tudo precisava funcionar para que, do outro lado, quem participasse tivesse justamente a impressão contrária: a de que tudo estava acontecendo naturalmente.
“Para quem estava ali, eu queria que a experiência fosse leve”, explica Ariane. Esse pode ser um dos detalhes mais interessantes de um evento. Quanto mais fluida parece a experiência para quem participa, mais trabalho costuma existir por trás dela. No Sunset, foram realizadas atividades como pilates, funcional e ritmos, além de DJ, saxofonista, contato com a natureza e ativações ligadas à saúde, estética, alimentação e autocuidado. Mas o crescimento do projeto não aconteceu apenas na estrutura. A própria Ariane começou a enxergar o Health de outra maneira. O que havia começado como um evento passou a ganhar características de marca. “As marcas passaram a fazer parte dessa experiência de uma forma muito mais estratégica, não apenas como patrocinadoras”, diz.

É nesse ponto que o projeto encontra uma discussão familiar a quem empreende: como transformar uma boa ideia em algo que outras pessoas também queiram construir junto?
No caso de Ariane, o networking não aparece como um detalhe complementar. Ele está no centro do Health. A empresária procura entender o que cada parceiro representa para encontrar uma maneira de inserir aquela marca na experiência, em vez de simplesmente reservar um espaço para uma logomarca.
A lógica também ajuda a explicar a presença de empresas de segmentos diferentes no projeto. Para Ariane, wellness deixou de ser uma conversa restrita à academia, dieta ou estética. Tem relação com a maneira como as pessoas vivem, cuidam de si, administram o tempo, se relacionam e procuram qualidade de vida.
A Track&Field acompanha o Health desde a primeira edição. A parceria, segundo Ariane, nasceu da identificação entre os propósitos e foi se fortalecendo conforme cada entrega acontecia. O Health Woman foi o primeiro passo. O Sunset veio maior, mais complexo e com novos desafios.
A próxima edição já está sendo desenhada para novembro. E uma das partes mais importantes dessa trajetória talvez esteja justamente no intervalo entre uma edição e outra, quando não existe evento acontecendo e é preciso continuar acreditando no que ainda está sendo construído.
Ariane conta que passou por um período de bloqueio antes de colocar o Health em movimento. Tinha ideias, sonhos e capacidade de realizar, mas não conseguia transformar tudo aquilo em ação. A saída, segundo ela, começou quando entendeu que não precisava esperar se sentir completamente pronta.
“Comecei a fazer, mesmo com medo, mesmo sem ter todas as respostas.”
O Sunset foi uma consequência concreta dessa decisão. Também foi uma aposta. Produzir um evento daquela proporção sem ter uma longa experiência anterior nesse tipo de operação significava assumir riscos financeiros, de público, de logística e de reputação. O último deles talvez fosse o mais pessoal. Quando o projeto leva o nome, a imagem e a trajetória de quem o criou, não existe uma separação completa entre o negócio e quem está à frente dele. Se funciona, o reconhecimento chega junto. Se alguma coisa dá errado, o nome também está ali. Ariane sabia disso quando decidiu não diminuir o projeto por medo.
“Eu poderia ter escolhido fazer algo menor e mais seguro. Mas senti que, se eu diminuísse o projeto por medo, ele não teria a essência que eu imaginava.”
É uma escolha que diz respeito a risco, mas também a posicionamento. Nem toda decisão de crescimento significa fazer algo maior. Neste caso, significava não descaracterizar a ideia apenas porque ela ainda não tinha provas suficientes de que poderia dar certo. Essas provas vieram depois.

Depois do Health Woman, vieram os feedbacks. Depois do Sunset, vieram novos parceiros, novas possibilidades e a percepção de que as pessoas não estavam apenas participando de um evento. Estavam entendendo a proposta. E isso muda a natureza de um projeto.
Ariane também precisou construir essa trajetória enquanto continuava sendo mãe de dois filhos, esposa, profissional e figura pública. Não existe, segundo ela, uma fórmula perfeita para equilibrar todas essas partes. A família aparece como uma base importante nesse processo. O marido a incentivou nos projetos, enquanto o irmão participou diretamente da construção do Health e se tornou um suporte importante nos bastidores.
Mais do que tentar dar conta de tudo, Ariane diz estar aprendendo a não fazer tudo sozinha. Essa pode ser outra mudança provocada pelo próprio crescimento do Health. No começo, a ideia dependia principalmente da pessoa que a imaginou. Conforme o projeto ganhou parceiros, equipe, marcas e público, passou a depender também da capacidade de criar confiança em torno dele. E confiança, nesse caso, não veio antes da entrega. Foi construída junto com ela.
Ariane resume a própria maneira de pensar o projeto em uma frase: “Antes de querer que alguém acredite no seu projeto, você precisa acreditar nele de verdade.”
Não se trata, na visão dela, de ignorar planejamento ou responsabilidade. Pelo contrário. O projeto precisou de estratégia, organização, parceiros e disposição para lidar com imprevistos. Mas nenhuma dessas coisas substitui o primeiro movimento de quem ainda não tem resultado para mostrar.
É uma situação conhecida por quem já passou dos primeiros anos de carreira e pensa em começar alguma coisa nova: a experiência acumulada ajuda a avaliar o risco, mas não elimina a parte em que é preciso apostar. No caso do Health, a aposta começa a ganhar forma própria.
Ariane já fala em novas experiências, novos espaços e novas conexões para os próximos capítulos. Novembro terá uma nova edição, ainda mantida em segredo, mas com a promessa de não repetir simplesmente o que já foi feito. A ideia é que cada encontro tenha identidade própria, sem perder aquilo que sustenta o projeto desde o início: saúde, movimento, conexão e bem-estar.
Ariane começou querendo criar uma experiência para outras pessoas. No caminho, precisou aprender a transformar uma ideia em operação, uma rede de contatos em parceria e uma aposta pessoal em algo que outras pessoas também pudessem chamar de seu.
O projeto cresceu. E, junto com ele, cresceu também a pergunta que agora parece mover Ariane: não mais se o Health pode acontecer, mas até onde uma ideia pode chegar quando encontra coragem, parceiros e disposição para continuar colocando-a em movimento.



